Pensamentos, Rimas, Gargalhadas, Deus, Futebol, Hip-Hop, Musica, Brasil, Mulheres e Samba... este é um blog feito de Sambas da vida, Sambas de Bênçãos.
domingo, 30 de agosto de 2009
terça-feira, 16 de junho de 2009

Fechei os olhos e disse: "não tenho medo".
Sorri com a tua fala muda que soube a segredo.
Beijei a terra em despedida, parti para o céu.
Hoje não há tempestade, hoje não sou réu.
Estiquei os braços, cheirei o ar,
desejei que o vento fosse como um talento a explorar.
Queimei a duvida, toquei a perfeição,
desrespeitei a gravidade, fugi à realidade para viver uma ilusão.
Senti as asas do coração baterem levemente sobre o silêncio.
Senti as amarras da insatisfação corarem de aflição
como se a satisfaçãofosse mais forte que o seu peso.
Reabri as pestanas,
desagradável sensação humana e reparei que nem voei.
Se sonhei?Talvez.
Tenho a estranha sensação que o sorriso por vezes engana.
Estive tão perto como se o certo fosse o teto
entre o afecto e a beleza
como se o correcto não fosse tão incerto como toda a Realeza.
Mas é real. E a realidade podia ter mais de Real.
Agora sinto saudades do acto que muitos chamam normal.
Mas eu sei,eu sinto.Sim já voei!e chamei-lhe liberdade.
”Um equilíbrio quase perfeito a que gente comum gosta de chamar voar.”
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
segunda-feira, 23 de junho de 2008

"Se..."
Se a vida me amasse, o amor não seria um dom
Se o negro não cantasse, o meu samba nunca teria um tom.
Se o medo dançasse, musicas seriam apenas sons.
Se a revolta curasse, eu viveria na respiração do bom.
Se a raiva pintasse, quadros deixariam de ser objectos.
Se a lua falasse, o Sol nunca seria o lado certo.
Se a rua iluminasse, a luz não seria algo correcto.
Se a alma chorasse, lavariam ruas com afecto.
Se a mentira durasse, a verdade seria vaidosa.
Se a verdade fosse vaidosa, a minha poesia seria de facto prosa.
Se a pura dor matasse, muita gente era impiedosa.
Se o fado não chorasse, guitarras não teriam lógica.
Se a vida não tocasse, não haveria melodia.
Se a métrica importasse, eu nunca escreveria.
Se a bossa-nova me rejeitasse, o pagode me acolhia.
Se o Se não existisse…eu verdadeiramente vivia…
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
"minha Irmã"
ou a matas ou ela se multiplica.
Acordei sobre ideias embriagadas,
Quilos de garrafas de pensamentos usadas,
calor e dores de barriga.
O dia acordou escuro, tenso,
soltou num grito uma trovoada,
gritei por instinto também, enquanto penso
não sou nada!
Ajoelho-me na sala escura,
sobre os meus cacos de vidro
resultado de mais uma noite de insónias.
Joelhos sangram a tentativa de ser pura,
Oro de mão sobre o Livro,
”nasci eu para viver em constante inglória?”
Vesti a roupa que se encontrava jogada na cama,
tento concentrar as lágrimas perante o olhar do meu pai.
Olhar que me assusta como chamas.
O pior é que já estou quente,
e a lágrima evapora quando sai.
O meu irmão mais velho
diz que pessoas, como ele e eu,
não nasceram para ter a vida fácil.
Que tenho que ser ágil, e na tempestade
desviar-me da chuva e do frio.
Que a nossa vida é um duro desafio,
não a lugar para brincarmos ao frágil.
Que a sabedoria vem com as feridas,
que as vitorias são morais e pouco vistosas
mas que alegram a Deus pai
e que anjos dançam sobre pétalas de rosas!
Mas o dia está frio,
a chuva cai sobre mim
a ansiedade domina-me impiedosamente.
Na multidão, gritei ninguém viu
e um sussurro me sorriu
”calma não tenhas medo”.
Falou-me como quem canta
Abraçou-me como quem me sentiu
guardou-me como se fosse um segredo.
Percebi que as vezes…
“Ouvir a voz de Deus é como ouvir um sussurro na multidão”
Dedicado a Ela.
Frase de Nuno César
sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
Esquina da vida
Deram-me boleia até a esquina da vida,
e lá fecharam os lábios,
descaíram os olhos em direcção oposta,
viraram costas,
as mãos manifestaram-se por dentro dos bolsos
de tão fria que é esta rua.
Engoli o silêncio, azedo sabor que este me mostra,
nada expressei, não sei se foi por medo,
tento manter em segredo
o frio para qual não tenho resposta.
O problema é que vou tremendo,
trinco o lábio inferior,
tenho o suor de dor que nem me mata nem me esfola,
invadem-me os demónios interiores,
o sangue tem outro tipo de sabor,
o presente não me ama, mas também não me degola.
Querem que perca a cabeça sozinho!
Quem me viu e quem me vê…
Ainda ontem levava a bola debaixo do braço,
carregado de sonhos,
Ainda ontem os meus olhos traziam sorrisos,
Quem me viu e quem me vê…
Será que o frio faz o coração virar granizo?
porque nem quente nem gelo sou…
E quem amei já passou,
e quem passou diz que me amou,
mas o vento segredou-me:
”nesta estás sozinho”.
Desta vez não me ajoelhei,
mantive-me sóbrio na bebedeira de lágrimas.
Simplesmente olhei o céu e perguntei
”Porque me deixas ficar em lastimas?”
Esmurro paredes, esmurro sonhos, esmurro lembranças
Esmurro provações, esmurro tentações,
e só parto dedos, dedos de esperança.
E eu tenho poucos desses,
Deus…equilibra-me a balança…
porque esta frio,
e esta dança não me mata, só me cansa…

